
Claude Code todo dia, vibe coding nunca no seu produto
Por Leonel Rocha · Product Designer
· 4 min de leitura
Vibe coding é pedir código à IA sem olhar o que ela escreveu; engenharia com agentes é usar a IA com alguém que entende o código e responde pelo resultado. Usamos Claude Code todo dia no Studio, mas o seu produto sempre tem uma pessoa revisando, testando e assinando o que vai para o ar.
- 2 semanas
- de uso diário real valem mais que testes bonitos, para Simon Willison
Eu uso Claude Code todos os dias. O time do Studio também. Ele está no design, com o Figma, e no build. Mesmo assim, quando um founder me pergunta se fazemos vibe coding no produto dele, a resposta é não. Parece contraditório. Não é.
Em 6 de maio de 2026, Simon Willison, um dos desenvolvedores que mais escrevem sobre IA aplicada a código, publicou um texto sobre a fronteira entre vibe coding e engenharia com agentes. O título já confessa o incômodo: as duas coisas estão ficando mais próximas do que ele gostaria. O texto me ajudou a explicar uma diferença que pratico e nem sempre consigo dizer em uma frase.
A diferença, segundo Simon Willison
Willison separa as duas práticas assim:
- Vibe coding é quando você não olha o código. Pede alguma coisa à IA e, se funcionar, está satisfeito. Pode ser alguém que nem programa.
- Engenharia com agentes é quando um profissional, que entende de segurança, manutenção, operação e desempenho, usa agentes para ampliar o que já sabe fazer.
Para ele, vibe coding é ótimo para ferramentas pessoais. Para software de que outras pessoas dependem, é “grosseiramente irresponsável, porque é a informação de outras pessoas”.

O ponto central: quem responde
A parte mais honesta do texto é a confissão. Com os agentes cada vez mais confiáveis, Willison admite que já não revisa cada linha que eles escrevem, nem em código de produção. E se sente culpado por isso.
O motivo do incômodo é responsabilidade. Pessoas e times constroem reputação e respondem pelo que entregam. A IA, não. Ele escreve: “O Claude Code não tem reputação profissional! Ele não pode responder pelo que fez.”
É exatamente essa a linha que eu traço. A pergunta não é se a IA escreveu o código. É se alguém que entende do assunto responde por ele.
Por que isso importa para quem contrata
Quando você contrata alguém para construir seu produto, está comprando uma coisa que a IA não vende: responsabilidade pelo resultado.
Com vibe coding, o produto funciona até o dia em que não funciona. E nesse dia, ninguém sabe por quê, porque ninguém leu o código. O founder descobre que pagou por algo que ninguém entende, nem quem fez.
Com engenharia com agentes, a IA acelera o trabalho, mas existe uma pessoa que sabe como o sistema foi montado, por que cada decisão foi tomada e o que fazer quando algo quebra.
O que Willison faz para confiar no código
O texto traz práticas concretas, que conversam muito com a forma como trabalhamos:
- Pedir testes e documentação ao agente. O próprio agente escreve os testes automáticos que vão vigiar o código dele.
- Valorizar uso real. Willison confia mais num projeto que alguém usou todo dia por duas semanas do que em outro com testes impressionantes e pouco uso. “Quero que alguém tenha usado a coisa”, escreve.
- Investigar onde dói. Quando um componente dá bug ou fica lento, aí sim ele mergulha no código.
- Desconfiar do próprio conforto. Ele alerta para a “normalização do desvio”: cada sucesso sem revisão aumenta a confiança no momento errado.
O quarto ponto é o que mais me marcou. O risco não é a IA errar. É a gente parar de olhar porque ela acertou nas últimas dez vezes.
Como fazemos no Studio
No seu produto, Claude Code é ferramenta de quem sabe o que está fazendo, não piloto automático. [Detalhar o fluxo de revisão do Studio: quem revisa, em que momento, com que critério, para o Leonel completar.]
Algumas coisas são fixas:
- O preço é fechado depois do diagnóstico, e o prazo vai escrito no contrato. Alguém assina essa data.
- Atendemos no máximo [três] projetos ao mesmo tempo, para que quem desenha e constrói conheça o seu sistema de verdade.
- Todo sistema sai com um agente de IA que roda todo dia, aponta falhas, sugere melhorias e confere se os dados fazem sentido. É a nossa resposta à normalização do desvio: um olhar diário que não se acostuma.
A velocidade da IA é o motivo de conseguirmos prazos como os 29 dias da LCX e as 4 semanas da AI Vou Eu. A responsabilidade humana é o motivo de esses sistemas continuarem no ar depois.
O que isso muda para você
Se você vai contratar alguém que usa IA, e em 2026 quase todo mundo usa, não pergunte “vocês usam IA?”. Pergunte:
- Quem lê o código que a IA escreve?
- Quem responde se algo quebrar em produção?
- Como vocês testam o que a IA gerou?
Se a resposta for “a IA faz tudo”, você está contratando vibe coding, só que pagando por engenharia.
Se você quer a velocidade da IA com alguém respondendo pelo resultado, é assim que trabalhamos no nosso serviço de sistemas e SaaS.
Perguntas frequentes
Vocês usam IA para escrever o código do meu produto?
Sim, todos os dias, com Claude Code. A diferença é que alguém do time entende, revisa e responde pelo que vai para o ar.
Vibe coding é sempre ruim?
Não. Para protótipo e ferramenta pessoal, pode ser ótimo. O problema é usar em software com dados e dinheiro de outras pessoas sem ninguém olhar o código.
Meu produto foi feito com vibe coding. E agora?
Não precisa jogar fora. O caminho é revisar o que existe, corrigir o que é arriscado e colocar alguém respondendo pelo sistema daqui para frente.
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