Monitor numa mesa escura com um painel de gráficos vazios em azul

IA sem métrica é custo: o que a Endeavor viu nas scale-ups

Por Leonel Rocha · Product Designer

· 4 min de leitura

Resposta curta

Segundo a Endeavor, 70% das scale-ups brasileiras reorganizaram times por causa da IA, mas 51% não têm nenhuma métrica de negócio ligada a ela. Sem métrica, IA é só uma linha a mais na fatura. O caminho é escolher, antes de ligar, o número que a IA deve mover e medir esse número toda semana.

70%
das scale-ups reorganizaram áreas ou times por causa da IA em 12 meses
51%
não têm nenhuma métrica de negócio ligada à IA
84%
pretendem ampliar o investimento em IA no próximo ano

Toda empresa que conheço diz que usa IA. Pouquíssimas conseguem me dizer que número a IA mudou. Essa distância entre uso e resultado agora tem um tamanho medido.

No Startup Summit 2026, a Endeavor Brasil apresentou o estudo “Inteligência Artificial nas Scale-Ups Brasileiras: Entre a Experimentação e a Transformação”, com 133 empreendedores de 125 empresas. A cobertura de Giulia Frazão no Startups, de 27 de agosto de 2026, traz os números. Eles confirmam uma ideia simples: IA sem métrica é custo.

O que o estudo da Endeavor mostrou

As scale-ups estão mexendo na estrutura por causa da IA:

  • 70% reorganizaram áreas ou times nos últimos 12 meses por causa da IA.
  • 76% reduziram contratações ou o número de funcionários.
  • 84% pretendem ampliar o investimento em IA no próximo ano.
  • 63% dizem que a tecnologia é usada intensamente, da liderança à base.

E aqui está o número que importa: 51% não têm nenhuma métrica de negócio ligada à IA. A matéria resume assim: “metade do mercado investe sem saber o retorno”.

As áreas que mais usam IA são produto e engenharia (77%) e atendimento e suporte (57%). Entre os impactos percebidos, 40% citam satisfação e retenção de clientes, 29% margem ou EBITDA e 25% receita.

Régua e fita métrica sobre um notebook fechado
Sem métrica definida antes, não há como saber se a IA pagou a conta.

Quem investe mais mede mais

O estudo traz uma relação que vale olhar com calma. Entre as empresas que investem menos de 1% da receita anual em IA, 9% relatam aumento de receita. Entre as que investem mais de 20%, são 62%. E a partir de 5% da receita investida, mais da metade das empresas tem ao menos uma métrica de negócio ligada à IA.

Não dá para dizer, só com esses dados, que investir mais causa mais receita. Pode ser o contrário: quem já mede consegue justificar investir mais. Mas a ligação entre medir e ver resultado aparece clara.

Por que IA sem métrica vira custo

Quando a IA entra sem uma métrica de negócio, três coisas acontecem:

  1. A fatura cresce e ninguém sabe se vale. Tokens, assinaturas e horas de integração têm preço. O retorno, sem métrica, é impressão.
  2. A equipe mede o que é fácil. Número de respostas geradas, prompts por dia, uso da ferramenta. Tudo cresce, e nada diz se o negócio melhorou.
  3. A decisão de cortar ou ampliar vira política. Sem número, ganha quem fala mais alto na reunião.

Edson Rigonatti, da Astella, fez no evento a pergunta que resume a fase: “Agora a gente entrega o trabalho. E aí? O que é o diferencial? Qual é o ponto de controle?”

Como medimos o agente de IA dos sistemas que entregamos

Todo sistema que o Studio entrega sai com um agente de IA que roda todo dia. Ele faz três coisas: aponta falhas, sugere melhorias e confere se os dados fazem sentido. A pergunta que o estudo deixa vale para ele também: que número ele precisa mover para valer o que custa?

A resposta muda de sistema para sistema, mas a estrutura é a mesma. Para cada função do agente, uma métrica de negócio, e uma linha para o custo do próprio agente:

  • Apontar falhas. A métrica é [tempo entre a falha acontecer e alguém ser avisado] e [quantas falhas o agente achou antes do cliente final].
  • Sugerir melhorias. A métrica é [quantas sugestões viraram mudança publicada] e [o efeito medido dessas mudanças].
  • Conferir se os dados fazem sentido. A métrica é [quantas inconsistências foram encontradas e corrigidas] e [o que elas teriam custado se passassem].
  • Custo do próprio agente. [Custo mensal de execução do agente por sistema], comparado com o que ele evita.

Em cada caso, registramos a linha de base antes de ligar. [Como e onde o Studio registra a linha de base de cada sistema]. Os resultados ainda são [dados de resultados do agente a consolidar], e vou publicar quando tiver números para mostrar.

O que isso muda para você

Se você já tem IA no produto ou na operação, faça este exercício de 30 minutos:

  1. Liste onde a IA está. Cada ferramenta, cada integração, cada assinatura.
  2. Escreva o custo mensal de cada uma. Inclua horas de manutenção.
  3. Escolha uma métrica de negócio para cada. Algo que já existe: tempo, erro, receita, retenção.
  4. Registre o valor de hoje. Esse é o seu antes.
  5. Revise em quatro semanas. O que não moveu nada vira candidato a corte.

Se você ainda vai colocar IA no produto, faça o passo 3 antes de construir. A métrica escolhida muda o que vale a pena construir.

Como fazemos no Studio

Usamos Claude Code e Figma no design e no build, e eu já falei sobre IA nos negócios no Siará Tech Summit. A IA entra nos nossos projetos com função escrita e, cada vez mais, com número escrito. O agente diário é a parte da IA que continua trabalhando depois do lançamento, e é por isso que ele precisa provar que se paga.

Se o seu sistema já está no ar e você quer IA que mova um número de verdade, o nosso serviço de evolução começa por essa conta.

Perguntas frequentes

Qual a primeira métrica para medir uma IA no meu produto?

A que já existe no seu negócio e que a IA deveria mover: tempo de atendimento, erros em pedidos, horas de operação manual. Evite métricas da própria IA, como número de respostas geradas, que crescem sem dizer se algo melhorou.

Quanto tempo leva para ver se a IA está funcionando?

Depende da métrica, mas a linha de base precisa estar registrada antes de ligar a IA. Sem o antes, qualquer depois é opinião.

Já tenho IA rodando sem métrica. Desligo?

Não precisa desligar. Escolha uma métrica de negócio, registre o valor atual e acompanhe por algumas semanas. Se o número não se mexe, aí sim é hora de decidir.

Fontes

  1. O que as scale-ups brasileiras aprenderam sobre IA até agora?Startups · Giulia Frazão · 2026-08-27

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Escrito por Leonel Rocha, Product Designer e fundador do Studio Responsivo

Adobe Certified Expert · Adobe Instructor Design & Layout · Google UX Designer

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