
Taxa da App Store e do Google Play: quanto as lojas cobram no Brasil
Por Leonel Rocha · Product Designer
· 6 min de leitura
No Brasil, a App Store cobra 21% de comissão sobre bens e serviços digitais, ou 10% para pequenos desenvolvedores e assinaturas depois do primeiro ano, mais 5% se o pagamento passar pelo sistema da Apple. O Google Play cobra 15% sobre o primeiro US$ 1 milhão do ano e 30% acima disso, e 15% em assinaturas. Venda de produto físico ou serviço consumido fora do app não paga comissão a nenhuma das duas lojas.
No Brasil, a App Store cobra 21% de comissão sobre bens e serviços digitais, ou 10% para pequenos desenvolvedores e assinaturas depois do primeiro ano, mais 5% se o pagamento passar pelo sistema da Apple. O Google Play cobra 15% sobre o primeiro US$ 1 milhão do ano e 30% acima disso, e 15% em assinaturas. Venda de produto físico ou serviço consumido fora do app não paga comissão a nenhuma das duas lojas.
- 10% a 21%
- é a comissão da App Store no Brasil desde as regras de junho de 2026, mais 5% se o pagamento for pela Apple
- 15% a 30%
- é a taxa de serviço do Google Play no Brasil, com 15% fixos em assinaturas
- 0%
- de comissão das lojas sobre produto físico ou serviço consumido fora do app
Quem planeja um app que cobra do usuário costuma fazer a conta assim: preço do plano vezes número de clientes. Falta uma linha. A Apple e o Google ficam com uma parte de cada venda feita dentro do app, e essa parte pode passar de um quarto do faturamento.
No Brasil, a conta mudou em 2026. Em 18 de junho, a Apple publicou regras novas para o país, depois de um acordo com o CADE. O Google também anunciou uma estrutura nova de taxas, que ainda não chegou aqui. Neste artigo eu mostro quanto cada loja cobra hoje, o que fica fora da comissão e como isso entra no projeto antes da primeira linha de código.
Quanto a App Store cobra no Brasil em 2026
Segundo o anúncio da Apple de junho de 2026, feito sob o acordo com o CADE e válido a partir do iOS 26.5, a cobrança sobre bens e serviços digitais no Brasil ficou assim:
- Comissão da App Store: 21% para a maioria das vendas.
- Comissão reduzida: 10% para quem está no Small Business Program e em outros programas da Apple, e para assinaturas depois do primeiro ano.
- Processamento de pagamento: mais 5% quando a venda passa pelo sistema de compra da Apple dentro do app.
- Link para pagar fora do app: 15% sobre a venda feita no site para onde o app manda o usuário. Cai para 10% nos mesmos casos da taxa reduzida.
- Lojas alternativas: 5%, chamados de Core Technology Commission, para apps distribuídos fora da App Store.
Na prática, um pequeno desenvolvedor que cobra pelo sistema da Apple paga 15% (10% de comissão mais 5% de processamento). Quem não se enquadra paga 26%. A própria Apple deixa claro que quem não vende bens ou serviços digitais não deve comissão nenhuma.
Quanto o Google Play cobra no Brasil
Na página oficial de taxas do Google Play, o Brasil continua na estrutura antiga, que vale para os mercados fora da primeira rodada de mudanças:
- 15% sobre o primeiro US$ 1 milhão de receita do desenvolvedor no ano.
- 30% sobre o que passar de US$ 1 milhão no ano.
- 15% em assinaturas com renovação automática, qualquer que seja o faturamento.
A mudança já tem data. Em março de 2026, o Google anunciou uma estrutura nova, que separa a taxa de serviço da taxa de cobrança. Nos Estados Unidos, no Reino Unido e na Europa, a taxa de serviço caiu para 20% em compras de novas instalações e para 10% em assinaturas, mais 5% de cobrança quando o pagamento passa pelo Google. O Google diz que as mudanças chegam ao resto do mundo até 30 de setembro de 2027. Até lá, no Brasil, vale a tabela de 15% e 30%.

O que não paga comissão nenhuma
Essa é a parte que mais muda o plano de negócio, e a que menos gente conhece. As duas lojas só cobram sobre o que é digital e consumido dentro do app.
A diretriz 3.1.3(e) da Apple diz que, se o app vende “bens físicos ou serviços que serão consumidos fora do app”, o pagamento precisa usar outro meio, como cartão de crédito. O regulamento de pagamentos do Google Play vai na mesma linha: o sistema de cobrança da loja não pode ser usado para bens ou serviços físicos.
Fica fora da comissão:
- Delivery e loja virtual: comida, roupa, peça, qualquer produto entregue.
- Agendamento: consulta, aula presencial, corte de cabelo, visita técnica.
- Transporte e turismo: corrida, passagem, hospedagem, passeio.
- Serviço contratado pelo app: limpeza, manutenção, frete.
Paga comissão:
- Assinatura de conteúdo ou de recurso: plano premium, área de membros, curso online dentro do app.
- Moeda e item virtual: créditos, fichas, níveis de jogo.
- Desbloqueio de função: versão completa, relatórios extras, mais usuários.
Se o seu app está no primeiro grupo, a taxa da loja não muda o preço. O custo vira o do gateway de pagamento, que você negocia direto.
Três formas de cobrar e quanto cada uma custa
Para quem vende algo digital, as regras novas da Apple criaram três caminhos no Brasil. Um exemplo com uma assinatura de R$ 50 por mês, de um pequeno desenvolvedor, no primeiro ano:
- Pagamento pela Apple dentro do app. 10% de comissão mais 5% de processamento: a Apple fica com R$ 7,50. É o caminho com menos atrito para o usuário, porque ele paga com a conta que já tem no celular.
- Link para pagar no seu site. 10% de comissão sobre a venda: R$ 5,00 para a Apple. Some a taxa do seu gateway. O usuário sai do app, digita o cartão e volta, e parte dele desiste no caminho.
- Loja alternativa. O app sai fora da App Store e paga 5% de Core Technology Commission: R$ 2,50. É o caminho mais barato no papel, mas depende de o usuário instalar outra loja, o que hoje pouca gente faz.
No Android, a mesma assinatura paga 15% ao Google: R$ 7,50.
A escolha não é só de taxa. É de conversão. Uma diferença de R$ 2,50 por cliente some rápido se o link para o site fizer você perder parte das vendas. A conta certa compara a receita líquida de cada caminho, não a porcentagem.
Os cuidados que entram no projeto
As regras novas da Apple têm limites. Segundo a cobertura do 9to5Mac, apps que usam pagamento fora do sistema da Apple precisam pedir a participação dos pais antes de uma compra feita por menor de 18 anos. E apps da categoria infantil não podem ter link para concluir a compra num site. Se o seu público é jovem, o caminho 1 tende a ser o único viável.
Outro ponto: cobrar pela loja ou pelo site muda o que precisa ser construído. Pagamento pela loja exige configurar produtos, planos e avisos de renovação nas duas plataformas. Pagamento no site exige gateway, página de checkout, conciliação e o controle de quem pagou para liberar o acesso no app. São escopos diferentes, com custos diferentes, e por isso a decisão precisa sair antes do orçamento. Explico os outros fatores que mexem no preço em quanto custa criar um app em 2026.
O formato do produto também pesa. Um PWA, que roda no navegador, não passa pela loja e não paga comissão, mas perde a presença na App Store e no Google Play. Comparei os três formatos em app nativo, híbrido ou PWA.
O que isso muda para você
Antes de pedir orçamento de um app que cobra do usuário, responda três perguntas:
- O que eu vendo é digital ou físico? Se for físico ou serviço fora do app, a comissão das lojas não entra na conta.
- Eu me enquadro na taxa reduzida? Na Apple, a taxa de 10% vale para quem está no Small Business Program. No Google, os 15% valem até US$ 1 milhão por ano.
- Onde o usuário vai pagar? Na loja, no seu site ou por uma loja alternativa. Cada opção tem taxa, conversão e escopo próprios.
Com essas respostas, o preço do plano já sai com a taxa dentro, e o projeto já sai com o fluxo de pagamento certo. No Studio, a forma de cobrar entra no diagnóstico, antes do preço fechado. O preço fica fechado e o prazo fica escrito no contrato. Código, contas de desenvolvedor e acessos ficam em nome do cliente, inclusive as contas na App Store e no Google Play.
Se você está desenhando um app que vai cobrar do usuário, veja como trabalhamos em desenvolvimento de apps e traga a sua conta para o diagnóstico.
Perguntas frequentes
Meu app de delivery paga comissão para a Apple e o Google?
Não sobre os pedidos. Comida, produto físico e serviço prestado fora do app ficam fora da comissão das duas lojas, e o pagamento passa pelo seu próprio gateway. Você paga só as contas de desenvolvedor e a taxa do gateway.
Posso mandar o cliente pagar no meu site para fugir da taxa da Apple?
No Brasil, desde junho de 2026, pode colocar um link para pagamento no site, mas a Apple cobra 15% sobre essas vendas, ou 10% para pequenos desenvolvedores e assinaturas depois do primeiro ano. A economia é de 5 pontos, mas o usuário sai do app para pagar e parte dele desiste. A conta precisa ser feita antes de decidir.
A taxa do Google Play vai mudar no Brasil?
O Google anunciou em março de 2026 uma estrutura nova, com taxa de serviço e taxa de cobrança separadas. Ela começou nos Estados Unidos, no Reino Unido e na Europa, e o Google diz que chega ao resto do mundo até 30 de setembro de 2027. Até lá, no Brasil, valem os 15% e 30%.
Quem paga a comissão: eu ou o cliente?
Você. A loja desconta a comissão do valor que o cliente pagou antes de repassar o dinheiro. Por isso o preço do plano no app precisa ser definido já com a taxa na conta.
Fontes
- Apple announces changes to iOS in BrazilApple Newsroom · 2026-06-18 · EN
- Latest News (Changes to iOS in Brazil; Updated Apple Developer Program License Agreement)Apple Developer · 2026-06-18 · EN
- App Review GuidelinesApple Developer · EN
- Service feesGoogle Play Console Help · EN
- Understanding Google Play's Payments policyGoogle Play Console Help · EN
- A new era for choice and opennessAndroid Developers Blog · Sameer Samat · 2026-03-04 · EN
- Apple announces major App Store changes for Brazil9to5Mac · 2026-06-18 · EN
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