
App de delivery próprio ou iFood: quando vale ter o seu
Por Leonel Rocha · Product Designer
· 6 min de leitura
Vale ter um app de delivery próprio quando você já tem clientes que voltam e a comissão do marketplace pesa na margem: no iFood, ela vai de 12% a 23% por pedido, mais 3,2% quando o pagamento é pelo app. Para quem ainda precisa ser descoberto, o marketplace continua sendo a vitrine. O caminho mais comum é usar os dois: o iFood traz o cliente novo e o app próprio fica com quem pede de novo.
Vale ter um app de delivery próprio quando você já tem clientes que voltam e a comissão do marketplace pesa na margem: no iFood, ela vai de 12% a 23% por pedido, mais 3,2% quando o pagamento é pelo app. Para quem ainda precisa ser descoberto, o marketplace continua sendo a vitrine. O caminho mais comum é usar os dois: o iFood traz o cliente novo e o app próprio fica com quem pede de novo.
- 12% a 23%
- é a comissão do iFood por pedido de delivery, mais 3,2% quando o pagamento é feito pelo app
- 54%
- do faturamento com delivery de bares e restaurantes vem dos marketplaces, segundo a Abrasel
- 12%
- do faturamento com delivery vem de app ou site próprio do estabelecimento
Todo dono de restaurante que vende pelo iFood já fez essa conta no fim do mês. Soma os pedidos, olha o repasse e pergunta para onde foi a diferença. Parte dela foi para a comissão. Parte foi para a taxa de pagamento online. E o cliente que pediu, na maioria das vezes, nem sabe o nome do seu restaurante: sabe que pediu “no iFood”.
É daí que nasce a pergunta: vale a pena ter um app de delivery próprio? A resposta não é sim nem não. Depende de quanto você vende, de quantos clientes voltam e de quanto da sua margem já está indo para o marketplace. Neste artigo eu mostro os números que entram nessa decisão e quando cada caminho faz sentido.
Quanto o iFood cobra do restaurante em 2026
Segundo a página oficial de planos do iFood para restaurantes, consultada em outubro de 2026, existem dois planos principais:
- Plano Básico: comissão de 12% sobre os pedidos de delivery, taxa de 3,2% nos pedidos pagos pelo iFood e mensalidade de R$ 110. A entrega é feita pela própria loja.
- Plano Entrega: comissão de 23%, a mesma taxa de 3,2% no pagamento online e mensalidade de R$ 150. A entrega fica com os entregadores parceiros do iFood, com rastreio e atendimento até o cliente receber o pedido.
A mensalidade só é cobrada de quem fatura mais de R$ 1.800 por mês na plataforma, e a disponibilidade do Plano Entrega depende da região. O iFood avisa que os valores podem variar, e o número que vale para você é o que aparece no seu Portal do Parceiro.
Na prática, um restaurante no Plano Entrega que recebe a maior parte dos pedidos com pagamento online entrega ao marketplace algo perto de um quarto de cada pedido. Num mês de R$ 50 mil em pedidos, 23% de comissão são R$ 11.500. Somando 3,2% de pagamento online, são mais R$ 1.600. Fora a mensalidade.
Onde o restaurante brasileiro vende hoje
O marketplace não é vilão. Ele é o canal que mais vende. Uma pesquisa da Abrasel publicada em março de 2025, com 2.176 empresários do setor, mostra como o faturamento com delivery se divide:
- 54% vem dos marketplaces;
- 26% vem do WhatsApp;
- 12% vem de app ou site próprio;
- 8% vem de pedidos por telefone.
A mesma pesquisa mostra que 78% dos estabelecimentos com delivery estão em marketplaces, 63% usam o WhatsApp e 39% investem em app ou site próprio. O número que mais chama a atenção é o do WhatsApp. O presidente da Abrasel, Paulo Solmucci, explicou assim: “O crescimento do WhatsApp é natural, pois dá mais controle aos estabelecimentos”.
Controle é a palavra. O pedido que chega pelo WhatsApp não paga comissão e deixa o contato do cliente com o restaurante. O problema é que o WhatsApp não foi feito para receber pedido. O atendente digita o cardápio, confere endereço, calcula troco e erra quando a cozinha está cheia. Um app próprio, ou um site de pedidos bem feito, faz esse mesmo trabalho sem o atendente no meio.

Quando um app de delivery próprio vale a pena
O app próprio se paga quando três coisas acontecem ao mesmo tempo.
1. Você tem cliente que volta. App é ferramenta de recompra. Quem pede toda semana instala, salva o cartão e pede em dois toques. Quem pede uma vez por ano não vai baixar nada. Se você não sabe quanto do seu faturamento vem de cliente recorrente, essa é a primeira conta a fazer.
2. A comissão já pesa na margem. Quando a comissão do marketplace passa a decidir o preço do cardápio, o canal próprio deixa de ser luxo. Cada pedido que migra do iFood para o seu app devolve para o caixa a parte que ia de comissão.
3. Você já resolve a entrega. Quem está no Plano Básico já tem entregador. Nesse caso, o app próprio muda só a porta de entrada do pedido. Quem depende da logística do marketplace precisa resolver a entrega antes. A pesquisa da Abrasel mostra que 39% dos estabelecimentos usam entregadores próprios, 30% contratam empresas de logística e 26% usam entregadores sob demanda.
Uma dúvida comum: o app próprio paga taxa para a Apple e o Google? Não sobre os pedidos. A diretriz 3.1.3(e) da App Store diz que compras de bens físicos ou serviços consumidos fora do app precisam usar outro meio de pagamento, como cartão. Comida entra nessa regra. Detalhei as contas e as taxas das lojas em quanto a App Store e o Google Play cobram no Brasil.
Quando o marketplace ainda é melhor
Em alguns casos, o app próprio é dinheiro gasto cedo demais:
- Restaurante novo ou em bairro novo. Ninguém procura o seu nome ainda. O marketplace é onde o cliente busca “pizza perto de mim”. Primeiro você precisa ser encontrado.
- Pedido pouco frequente. Se o cliente pede uma vez a cada dois meses, ele não vai manter seu app no celular.
- Volume baixo. Se a comissão do mês ainda é pequena, o custo de criar e manter um app demora a voltar.
- Sem estrutura para divulgar. O app próprio não traz cliente sozinho. Alguém precisa avisar quem já compra: cupom na sacola, mensagem no WhatsApp, cartaz no balcão.
Nesses casos, um site de pedidos rápido, ligado ao WhatsApp, costuma ser o primeiro passo. Expliquei a diferença entre os formatos em app nativo, híbrido ou PWA: qual escolher.
O que um app de delivery próprio precisa ter
Se a conta fechou, o app precisa competir com a experiência que o cliente já conhece. O mínimo:
- Cardápio fácil de atualizar, com foto, adicionais e itens esgotados que somem na hora.
- Pagamento no app com Pix e cartão salvo, para o segundo pedido levar segundos.
- Endereço salvo e taxa de entrega por região, calculada sem o cliente perguntar.
- Acompanhamento do pedido com notificação: recebido, em preparo, saiu para entrega.
- Fidelidade simples: cashback, pontos ou um item grátis a cada tantos pedidos. É o motivo para o cliente trocar o marketplace pelo seu app.
- Painel para o restaurante com os pedidos chegando no mesmo lugar, de preferência ligado ao sistema que você já usa no caixa.
- Dados dos clientes em seu nome, para mandar uma mensagem a quem não pede há 30 dias.
O que muda o preço desse projeto é quanto disso entra na primeira versão e quantas integrações ele exige. Expliquei o que pesa no orçamento em quanto custa criar um app em 2026.
O que isso muda para você
A decisão não é “iFood ou app próprio”. Quase sempre é “iFood e app próprio”. O marketplace continua como vitrine para o cliente novo. O app próprio fica com quem já conhece a sua comida e pede de novo. Cada pedido que muda de canal deixa a comissão no seu caixa e o contato do cliente com você.
Antes de pedir orçamento, faça três contas com os números do seu Portal do Parceiro: quanto você pagou de comissão nos últimos seis meses, quantos clientes pediram mais de uma vez no período e quanto custa a sua entrega hoje. Com esses números, dá para saber se o app se paga e em quanto tempo.
No Studio, fechamos o preço depois do diagnóstico e colocamos o prazo no contrato. O código, a conta nas lojas e os dados dos clientes ficam em nome do restaurante, não no nosso. Se a conta fechou para você, veja como planejamos e colocamos no ar apps para negócios que vendem todo dia.
Perguntas frequentes
App de delivery próprio paga comissão para a Apple e o Google?
Não sobre os pedidos. As regras das lojas deixam comida e produto físico fora da compra dentro do app, e o pagamento passa pelo seu próprio gateway. Você paga as contas de desenvolvedor e a taxa do gateway.
Preciso sair do iFood para ter um app próprio?
Não. A maior parte dos restaurantes que tem app próprio continua no marketplace. O iFood segue trazendo cliente novo, e o app próprio recebe quem já conhece a marca e quer pedir de novo.
Um site de pedidos não resolve no lugar do app?
Resolve no começo, para muita operação. O app instalado ganha quando há pedido recorrente, programa de fidelidade e notificação para chamar o cliente de volta. Quem pede uma vez por mês costuma ficar bem atendido por um site rápido.
Quem faz a entrega se eu tiver um app próprio?
Você decide. Pode usar entregadores próprios, uma empresa de logística ou entregadores sob demanda. A pesquisa da Abrasel mostra que 39% dos estabelecimentos com delivery já usam entregadores próprios.
Fontes
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