
Site hackeado ou fora do ar: o que fazer nas primeiras horas
Por Leonel Rocha · Product Designer
· 6 min de leitura
Nas primeiras horas, tire o site do ar ou ponha em manutenção, troque todas as senhas, guarde uma cópia do estado atual e descubra por onde o invasor entrou antes de limpar. Depois limpe o site inteiro, peça a revisão no Search Console e, se houve dados pessoais expostos, comunique a ANPD e os titulares em até 3 dias úteis.
Nas primeiras horas, tire o site do ar ou ponha em manutenção, troque todas as senhas, guarde uma cópia do estado atual e descubra por onde o invasor entrou antes de limpar. Depois limpe o site inteiro, peça a revisão no Search Console e, se houve dados pessoais expostos, comunique a ANPD e os titulares em até 3 dias úteis.
- 49%
- dos sites invadidos tinham pelo menos uma porta dos fundos (backdoor) instalada, segundo a Sucuri
- 39%
- dos sites invadidos rodavam um CMS desatualizado no momento da infecção, segundo a Sucuri
- 3 dias úteis
- é o prazo para comunicar a ANPD e os titulares quando o incidente atinge dados pessoais
Você abre o site da empresa e aparece uma página de cassino. Ou o Google mostra um aviso vermelho dizendo que o site é perigoso. Ou o site simplesmente não abre, e o telefone começa a tocar. A primeira reação é apagar o que parece estranho e torcer para não voltar. Quase sempre volta.
Invasão de site é mais comum do que parece, e o erro mais caro acontece nas primeiras horas. No relatório de sites invadidos da Sucuri, publicado em 2024 com dados de 39.594 sites limpos pela equipe da empresa em 2023, 49,21% dos sites tinham pelo menos uma porta dos fundos instalada. Porta dos fundos (backdoor) é um arquivo escondido que deixa o invasor voltar quando quiser. Apagar só o que aparece na tela não tira esse arquivo. Este guia mostra a ordem certa.
Hora 1: pare o dano antes de investigar
O objetivo da primeira hora não é consertar. É impedir que a coisa piore.
- Ponha o site em manutenção ou tire do ar. Uma página simples de “voltamos em breve” protege quem visita e evita que o Google continue indexando conteúdo do invasor.
- Troque todas as senhas. Painel do site, hospedagem, banco de dados, FTP, e-mail do domínio e conta do registro do domínio. Use senhas novas e ative a verificação em duas etapas onde der.
- Revogue acessos que você não reconhece. Usuários administradores criados nos últimos dias, chaves de acesso antigas, ex-fornecedores que ainda entram no painel.
- Avise quem precisa saber. Atendimento, comercial e quem cuida do e-mail. Se clientes ligarem, todos dizem a mesma coisa.
Se você não tem acesso a nada disso porque tudo está no nome de um fornecedor antigo, esse é o primeiro problema a resolver. Nós já escrevemos sobre como recuperar código e acessos quando o freelancer some, e a lógica é a mesma aqui.
Hora 2: guarde provas antes de limpar
Parece contraintuitivo, mas antes de apagar qualquer coisa, faça uma cópia do estado atual. Arquivos, banco de dados e registros de acesso do servidor (os logs).
Essa cópia serve para três coisas:
- Descobrir por onde o invasor entrou.
- Saber se ele chegou a dados de clientes.
- Ter registro, caso precise comunicar a ANPD ou responder a um cliente.
Guarde a cópia fora do servidor invadido. E não confunda com backup: essa cópia está contaminada e não deve ser usada para restaurar nada.

Por onde o invasor entrou
Limpar sem descobrir a porta de entrada é trocar o tapete com a janela aberta. As entradas mais comuns em sites de empresa são:
- Sistema desatualizado. Segundo a Sucuri, 39,1% dos sites invadidos rodavam um gerenciador de conteúdo (CMS) desatualizado no momento da infecção.
- Plugins e temas abandonados. Um plugin que ninguém atualiza há anos é uma porta conhecida por quem ataca.
- Senha fraca ou vazada. Principalmente no painel de administração e na hospedagem.
- Acesso esquecido. Um ex-fornecedor, um usuário de teste, uma chave de API que nunca foi revogada.
O mesmo relatório mostra o que o invasor costuma fazer depois de entrar. 20,3% dos sites limpos tinham spam de SEO: páginas falsas de remédio, cassino ou texto em japonês criadas dentro do seu domínio para aproveitar a reputação dele no Google. É por isso que às vezes o site parece normal para você e estranho para quem chega pela busca.
Um detalhe do relatório: 95,5% dos sites infectados que a Sucuri limpou eram WordPress. A própria empresa avisa que isso reflete a base de clientes dela e não prova que uma plataforma é mais insegura que outra. O que pesa é manutenção, não a marca do sistema.
Limpe o site inteiro, não só a página que apareceu
Com a porta de entrada identificada, a limpeza tem quatro partes:
- Fechar a falha. Atualizar o sistema, remover plugins abandonados, corrigir a configuração que deixou a porta aberta.
- Remover tudo o que o invasor colocou. Arquivos alterados, portas dos fundos, usuários falsos, páginas de spam e redirecionamentos.
- Conferir o banco de dados. Spam e scripts maliciosos também ficam gravados ali, não só nos arquivos.
- Restaurar só o que for comprovadamente limpo. Backup serve se for anterior à invasão. Se você não sabe quando ela começou, o backup também pode estar contaminado.
A ajuda do Google Search Console é clara num ponto: corrigir só algumas páginas não devolve o site à busca. O problema precisa sair de todas.
O aviso do Google: como tirar
Se o Google marcou o site como perigoso, quem busca vê um alerta antes de entrar, e muita gente desiste ali. Para tirar o aviso:
- Abra o relatório de problemas de segurança no Search Console. Ele mostra o tipo de problema, quando foi detectado e exemplos de páginas afetadas.
- Corrija todos os problemas listados, em todas as páginas.
- Clique em solicitar revisão e explique o problema, o que foi feito e o resultado.
Segundo o próprio Google, a revisão pode levar de alguns dias a algumas semanas. E o Google pede para não reenviar o pedido antes de receber a resposta. O guia de revisão do web.dev reforça: pedir revisão com o problema ainda no ar só prolonga o tempo em que o site fica marcado.
Ou seja: uma limpeza malfeita não custa só o retrabalho. Custa mais semanas com o aviso vermelho na frente de quem procura a sua empresa.
Se houve dados pessoais, o relógio da LGPD já está correndo
Formulário de contato, cadastro de clientes, área logada, pedidos. Se o site guarda dados pessoais e o invasor pode ter chegado a eles, existe prazo legal.
Segundo a página de incidentes de segurança da ANPD, a Resolução CD/ANPD nº 15/2024 determina que o controlador comunique a ANPD e os titulares afetados em até 3 dias úteis, quando o incidente puder causar risco ou dano relevante. A cópia que você guardou na hora 2 é o que permite responder com precisão o que vazou e o que não vazou.
Nessa parte, envolva o seu advogado ou o encarregado de dados da empresa. A decisão sobre comunicar é jurídica. O papel do time técnico é dar a resposta certa sobre o que foi acessado.
Limpar ou refazer o site
Depois da emergência, vem a pergunta que ninguém quer fazer: vale manter esse site?
Limpar e atualizar resolve quando:
- O site é recente e a base está em dia.
- A falha foi pontual, como uma senha vazada.
- Existe alguém responsável pelas atualizações daqui para frente.
Refazer faz mais sentido quando:
- O sistema e os plugins estão anos atrasados.
- Ninguém sabe quem fez nem como o site foi montado.
- A invasão é a segunda ou a terceira.
Se o site já mostrava outros sinais de idade, vale ler os sinais de que chegou a hora de refazer o site da empresa antes de pagar por uma limpeza que vai se repetir.
Como não passar por isso de novo
A maioria das invasões começa por algo que alguém deixou de fazer. O mínimo:
- Atualizações aplicadas com frequência, não só quando algo quebra.
- Backups automáticos, guardados fora do servidor e testados.
- Contas, domínio e hospedagem em nome da empresa, com verificação em duas etapas.
- Alguém olhando o site todo dia. É a ideia por trás de monitorar o sistema para saber do erro antes do cliente.
Como fazemos no Studio
Num resgate, começamos pelos acessos: código, arquivos e contas passam a ficar em nome do cliente. Depois fazemos o diagnóstico, que separa o que dá para limpar do que precisa ser refeito. Só então fechamos preço e prazo, com o prazo escrito no contrato. A equipe de devs é do próprio Studio.
E todo sistema que entregamos sai com um agente de IA que roda todo dia, aponta falhas, sugere melhorias e confere se os dados fazem sentido. É o tipo de olhar diário que faz uma invasão ser percebida em horas, e não pelo telefonema de um cliente.
Se o site da sua empresa foi invadido ou caiu e você precisa colocar tudo de volta no ar com segurança, o resgate de projeto do Studio começa pelo diagnóstico.
Perguntas frequentes
Restaurar o backup resolve um site hackeado?
Resolve só se você souber que o backup é anterior à invasão e se fechar a porta que o invasor usou. Restaurar sem corrigir a falha costuma trazer a invasão de volta em dias.
Quanto tempo o Google leva para tirar o aviso de site perigoso?
Depois que você limpa o site e pede a revisão no Search Console, o Google diz que a análise pode levar de alguns dias a algumas semanas. Não reenvie o pedido antes da resposta.
Preciso avisar a ANPD se meu site foi hackeado?
Se o incidente atingiu dados pessoais e pode causar risco ou dano relevante aos titulares, sim. A regra da ANPD dá 3 dias úteis para comunicar a autoridade e as pessoas afetadas. Na dúvida, fale com o seu advogado ou encarregado de dados.
Vale mais a pena limpar o site ou fazer um novo?
Depende do que a análise encontrar. Se o site está desatualizado há anos e a falha está na base, limpar vira remendo. Se a base está boa e a falha é pontual, limpar e atualizar resolve.
Fontes
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