
App com IA: o que dá para colocar e quanto custa
Por Leonel Rocha · Product Designer
· 7 min de leitura
Dá para colocar no app resumo, busca em linguagem natural, leitura de foto e documento, assistente e sugestões personalizadas. Quando a IA roda no próprio celular (Apple Foundation Models e Gemini Nano), não há custo por uso. Quando roda na nuvem, você paga por token: no Gemini 2.5 Flash-Lite, US$ 0,10 por milhão de tokens de entrada e US$ 0,40 de saída.
Dá para colocar no app resumo, busca em linguagem natural, leitura de foto e documento, assistente e sugestões personalizadas. Quando a IA roda no próprio celular (Apple Foundation Models e Gemini Nano), não há custo por uso. Quando roda na nuvem, você paga por token: no Gemini 2.5 Flash-Lite, US$ 0,10 por milhão de tokens de entrada e US$ 0,40 de saída.
- US$ 0,10
- por milhão de tokens de entrada no Gemini 2.5 Flash-Lite, na tabela oficial do Google
- 2x
- é quanto sobe o preço do Gemini 3.8 Flash a partir de 1º de janeiro de 2027
- 13/11/2025
- data em que a Apple passou a exigir permissão explícita para enviar dado pessoal a IA de terceiros
Quase todo pedido de app que chega hoje vem com a mesma frase: “e queremos IA”. A frase é boa. O problema é que ela não diz o quê. IA pode ser um resumo de três linhas, uma busca que entende pergunta, uma câmera que lê nota fiscal ou um assistente que conversa com o cliente. Cada uma dessas coisas tem custo, prazo e risco diferentes.
A maior diferença de preço não está na função. Está em onde a IA roda: no próprio celular do usuário ou num servidor na nuvem. Neste guia eu separo os dois caminhos com os preços oficiais publicados pela Apple e pelo Google, mostro uma conta de custo mensal e explico a regra da App Store que já está recusando app com IA mal explicada.
O que dá para colocar num app com IA
Antes de falar de preço, vale saber o que é viável hoje sem pesquisa de laboratório. As funções que mais aparecem em apps de empresa são estas:
- Resumo: de conversa, de documento, de histórico do cliente, de relatório do dia.
- Busca em linguagem natural: o usuário digita “pedido de março com entrega atrasada” e o app encontra.
- Leitura de foto e documento: nota fiscal, receita, boleto, RG, cardápio, etiqueta.
- Texto pronto: resposta sugerida, descrição de produto, mensagem de lembrete no tom certo.
- Assistente dentro do app: tira dúvida, agenda, consulta pedido, sempre preso aos dados do seu negócio.
- Sugestão personalizada: treino, roteiro, produto, próximo passo, com base no que o usuário já fez.
Nada disso exige treinar modelo próprio. Exige saber escolher onde cada função roda.
IA no celular: sem custo por uso, com limites
O primeiro caminho é a IA que roda no aparelho. Os dois sistemas já oferecem isso.
No iPhone, o Foundation Models framework dá ao app acesso ao modelo de cerca de 3 bilhões de parâmetros que está por trás do Apple Intelligence. Segundo a Apple, a inferência é “free of cost”, ou seja, sem custo por chamada, funciona offline e mantém os dados no aparelho. Ele chegou com o iOS 26.
No Android, as GenAI APIs do ML Kit usam o Gemini Nano dentro do próprio celular para resumir, revisar texto, reescrever, descrever imagem e responder a prompts. O Google diz que não há “custo adicional de servidor” por chamada e que a função continua igual sem internet.
Parece perfeito. Tem três limites que entram no seu escopo:
- Nem todo aparelho roda. A Apple exige aparelho compatível com Apple Intelligence e o recurso ligado. No Android, a lista é de aparelhos selecionados, a maioria Pixel, Galaxy e outros topo de linha.
- O modelo é menor. Ele resolve bem tarefa curta e bem definida. Não substitui um modelo grande em raciocínio longo.
- No Android há cota e regra de uso. O sistema limita chamadas por app e só deixa a IA rodar com o app aberto na tela.
Na prática, IA no celular é ótima para função que melhora a experiência, mas não pode ser a única porta para uma função essencial. Se o seu cliente usa celular de entrada, ele precisa de outro caminho.
IA na nuvem: paga por token, e o preço muda

O segundo caminho é chamar um modelo na nuvem. Aqui você paga por token, que é o pedaço de texto que entra e sai do modelo. A conta é de quem tem o app, todo mês, enquanto houver uso.
Os preços oficiais do Google, consultados em outubro de 2026, mostram a distância entre modelos. Na tabela da Gemini API, o Gemini 2.5 Flash-Lite custa US$ 0,10 por milhão de tokens de entrada e US$ 0,40 por milhão de saída. O Gemini 3.8 Flash custa US$ 0,75 de entrada e US$ 3,75 de saída até 31 de dezembro de 2026. A partir de 1º de janeiro de 2027, passa para US$ 1,50 e US$ 7,50. O preço dobra em dois meses.
Esse é o gancho que quase ninguém coloca na planilha: o custo da IA na nuvem não é fixo. Ele depende da tabela do fornecedor, e a tabela muda.
Vale um alerta sobre o plano gratuito. Na mesma página, o Google informa que o conteúdo enviado no nível gratuito pode ser usado para melhorar os produtos dele. Para app com dado de cliente, isso já descarta o plano gratuito em produção.
Quanto custa por mês: uma conta de exemplo
Uma conta ajuda a enxergar a ordem de grandeza. Imagine um app com 10 mil usuários ativos, cada um usando a IA 20 vezes por mês. São 200 mil pedidos. Suponha que cada pedido envie 1.000 tokens e receba 500 de volta. No mês, são 200 milhões de tokens de entrada e 100 milhões de saída.
- Gemini 2.5 Flash-Lite: US$ 20 de entrada mais US$ 40 de saída. Cerca de US$ 60 por mês.
- Gemini 3.8 Flash, preço de 2026: US$ 150 mais US$ 375. Cerca de US$ 525 por mês.
- Gemini 3.8 Flash, preço de 2027: cerca de US$ 1.050 por mês.
- Mesma função rodando no celular: zero de inferência, para quem tem aparelho compatível.
A mesma função pode custar de zero a mais de mil dólares por mês. O que decide é a arquitetura, e ela se define no começo do projeto.
Esse custo se soma ao resto do app no ar: servidor, lojas, monitoramento e atualizações. E o custo de construir o app em si depende de outros fatores, que estão em quanto custa criar um app em 2026.
A regra da Apple que recusa app com IA mal explicada
Tem um ponto que pega muita empresa na hora de publicar. Em 13 de novembro de 2025, a Apple atualizou a regra 5.1.2(i) das diretrizes da App Store. Ela agora diz que o app precisa informar com clareza quando dados pessoais vão para terceiros, “including with third-party AI”, e obter permissão explícita antes de enviar.
Segundo a TechCrunch, foi a primeira vez que a Apple citou IA de terceiros nessa regra. Uma linha escondida nos termos de uso não resolve. O app precisa de uma tela que diga o que é enviado, para quem e peça o aceite.
Para quem está contratando, isso vira três itens de escopo:
- Mapear quais funções mandam dado pessoal para a nuvem.
- Desenhar a tela de permissão e o caminho de quem diz “não”.
- Preferir IA no celular para funções que lidam com dado sensível, como saúde, finanças e documentos.
Se esses itens não estão na proposta, alguém vai descobrir na revisão da loja, com o app pronto e a data de lançamento marcada.
Como fazemos no Studio
Começamos pela pergunta “qual tarefa o usuário quer resolver mais rápido?”, não por “onde colocamos IA”. Depois separamos cada função em uma de três caixas: roda no celular, roda na nuvem ou roda nos dois, com a nuvem como plano B para aparelho sem suporte.
Com isso, o preço sai fechado depois do diagnóstico e o prazo vai escrito no contrato. O código, os arquivos e as contas das lojas e dos provedores de IA ficam no nome da sua empresa. A equipe de devs é nossa, e usamos Claude Code e Figma no design e no build.
Foi assim que colocamos no ar o AI Vou Eu, um SaaS de turismo com IA, em 4 semanas. E todo sistema que entregamos sai com um agente de IA que roda todo dia, aponta falhas, sugere melhorias e confere se os dados fazem sentido. É o mesmo raciocínio que usamos para colocar IA no sistema da empresa sem virar risco: função clara, dado protegido e custo medido.
O que isso muda para você
Antes de pedir orçamento de app com IA, leve três respostas:
- Quais funções de IA você quer e qual delas é essencial para o app funcionar.
- Quantos usuários você espera no primeiro ano e quantas vezes cada um vai usar a função.
- Que tipo de dado a IA vai receber: nome, foto, documento, saúde, dinheiro.
Com isso, dá para comparar propostas pelo que importa: onde cada função roda, quanto ela custa por mês no seu volume e como o app passa na revisão da Apple e do Google. Se você quer um app com IA no ar, com custo previsível e dentro das regras das lojas, conheça como trabalhamos em desenvolvimento de apps.
Perguntas frequentes
Quanto custa por mês a IA de um app?
Depende de quantas vezes o usuário chama a IA e de qual modelo responde. Se a função roda no próprio celular, o custo por uso é zero. Na nuvem, um app com 200 mil pedidos por mês pode custar perto de US$ 60 num modelo barato ou mais de US$ 500 num modelo intermediário.
A IA no celular funciona em qualquer aparelho?
Não. O modelo da Apple exige aparelho compatível com Apple Intelligence e o recurso ligado. No Android, as funções com Gemini Nano rodam em uma lista de aparelhos, a maioria topo de linha. Quem tem celular mais simples precisa de um plano B, em geral a nuvem.
A Apple pode recusar meu app por causa da IA?
Pode. Desde novembro de 2025, a regra 5.1.2(i) exige que o app diga claramente quando envia dado pessoal para uma IA de terceiros e peça permissão antes. Sem essa tela, o envio para a loja pode voltar recusado.
Preciso treinar uma IA própria para o meu app?
Quase nunca. Os modelos prontos da Apple, do Google e de outras empresas resolvem a maioria das funções. O trabalho está em escolher onde cada função roda, que dado ela recebe e como o app reage quando a resposta vem errada.
Fontes
- Gemini Developer API pricingGoogle AI for Developers · EN
- Apple's Foundation Models framework unlocks new intelligent app experiencesApple Newsroom · 2025-09-29 · EN
- Updated App Review Guidelines now availableApple Developer · 2025-11-13 · EN
- ML Kit GenAI APIsGoogle for Developers · EN
- Apple's new App Review Guidelines clamp down on apps sharing personal data with third-party AITechCrunch · 2025-11-13 · EN
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