
Quanto custa um MVP em 2026: o que muda o preço
Por Leonel Rocha · Product Designer
· 6 min de leitura
O preço de um MVP depende de quantos fluxos entram na primeira versão, das integrações obrigatórias, dos perfis de usuário, da cobrança e da segurança. O que mais encarece é colocar função que ninguém vai usar: a Pendo mostra que 80% das funções de um software médio quase nunca são usadas. Um preço sério só sai depois de um diagnóstico que corta o escopo e escreve o que fica de fora.
O preço de um MVP depende de quantos fluxos entram na primeira versão, das integrações obrigatórias, dos perfis de usuário, da cobrança e da segurança. O que mais encarece é colocar função que ninguém vai usar: a Pendo mostra que 80% das funções de um software médio quase nunca são usadas. Um preço sério só sai depois de um diagnóstico que corta o escopo e escreve o que fica de fora.
- 80%
- das funções de um software médio são raramente ou nunca usadas, segundo a Pendo
- 12%
- das funções geram 80% do uso diário, no mesmo estudo da Pendo
- 66%
- dos devs citam como maior frustração a resposta de IA quase certa, mas não totalmente, segundo o Stack Overflow
“Quanto custa um MVP?” é das primeiras perguntas que um founder faz. E quase sempre chega com uma lista de funções que já não cabe na palavra “mínimo”. Login com rede social, painel com gráficos, app no celular, chat, relatório em PDF, integração com tudo. Cada item parece pequeno. Somados, viram um produto inteiro.
Neste texto eu mostro o que forma o preço de um MVP, onde o dinheiro costuma ir embora e como cortar o escopo sem tirar o que faz o cliente pagar. Não publico tabela de preços, e explico o motivo no fim.
O que é um MVP, na prática
MVP é a sigla em inglês para produto mínimo viável. Na prática, é a menor versão do produto que um cliente real consegue usar para resolver o problema principal, de preferência pagando por isso.
Duas palavras pesam aqui. “Real”: não é protótipo clicável nem apresentação. É software no ar, com login, dados e cobrança. “Principal”: um problema, não cinco. Se o MVP tenta resolver tudo, ele deixa de ser mínimo e passa a custar como um produto completo, com o risco de um produto completo.
Por que o MVP sai mais caro do que deveria
O maior desperdício num MVP não é a hora cara. É construir o que ninguém vai usar.
A Pendo, empresa de análise de uso de software, mediu isso. No relatório de adoção de funções de 2019, com dados de uso de 615 contas de clientes, a conclusão foi que 80% das funções de um software médio são raramente ou nunca usadas. No mesmo estudo, uma média de 12% das funções gerava 80% do uso diário.
A empresa ainda estimou que companhias de software em nuvem com ações em bolsa investiram até US$ 29,5 bilhões em pesquisa e desenvolvimento de funções pouco usadas, segundo o comunicado publicado em 5 de fevereiro de 2019. São empresas grandes, com time de produto e dados. Num MVP, sem dado nenhum de uso, o risco de errar a aposta é maior.
Para quem vai contratar, a conta é simples. Se a maior parte das funções não vai ser usada, cada função que você tira da primeira versão é dinheiro que fica no caixa para a segunda, que já vai ser decidida com uso real.
O que muda o preço de um MVP

Dois MVPs com “as mesmas telas” podem ter preços muito diferentes. O que pesa quase nunca aparece no desenho. São seis fatores.
1. Quantidade de fluxos
Conte fluxos, não telas. Um fluxo é um caminho completo: o cliente se cadastra, cria um pedido, paga e recebe a confirmação. Cada fluxo traz regra, validação, mensagem de erro e teste. É o item que mais mexe no preço.
2. Integrações obrigatórias
Gateway de pagamento, nota fiscal, WhatsApp, ERP, API de parceiro. Cada integração tem documentação própria, ambiente de teste e erros que só aparecem com uso real. No MVP, entra só a integração sem a qual o produto não funciona. O resto pode ser manual por algumas semanas.
3. Perfis de usuário
Cliente, administrador, gestor, parceiro. Cada perfil tem permissões, telas e testes próprios. Um MVP com dois perfis é bem diferente de um com quatro.
4. Cobrança
Se o produto cobra assinatura, a cobrança entra no MVP. Ela traz regras de atraso, cancelamento, troca de plano e reembolso. Quanto mais formas de pagamento e planos, mais regras para construir e testar.
5. Segurança e dados pessoais
Login seguro, controle de quem acessa o quê, backup e o que a LGPD exige sobre os dados dos seus clientes. Isso não é “fase 2”. Um MVP com cliente pagante e dado exposto é o tipo de economia que sai mais caro.
6. Celular: web, app ou os dois
Um MVP web que funciona bem no celular custa menos do que um app nas lojas, que traz conta de desenvolvedor, revisão da Apple e do Google e duas plataformas para manter. Para muitos produtos, o app pode esperar a segunda versão.
A IA deixou o MVP mais barato?
Deixou mais rápido escrever código. Não deixou mais barato acertar o produto.
A ferramenta de IA gera tela e função em minutos. O problema é o que vem depois. Na pesquisa de desenvolvedores de 2025 do Stack Overflow, 84% dos respondentes disseram usar ou pretender usar ferramentas de IA. Mas 46% disseram desconfiar da precisão do que a IA entrega, contra 33% que confiam. A maior frustração, citada por 66%, foi a resposta “quase certa, mas não totalmente”. E 45% disseram que corrigir código gerado por IA leva mais tempo.
Para o founder, isso aparece de um jeito conhecido. O MVP feito sozinho com IA chega a 70% rápido. Os 30% que faltam no MVP, como segurança, cobrança, dados separados e erro tratado, são exatamente a parte que custa. A IA ajuda muito quem sabe o que precisa construir e sabe revisar o que ela entrega. Não substitui a decisão do que entra e do que fica de fora.
Como cortar o escopo sem cortar o que vende
Cortar escopo não é fazer menos por preguiça. É escolher, com critério, o que precisa estar no ar no primeiro dia. Funciona assim:
- Escreva o problema principal em uma frase. Tudo o que não ajuda a resolver essa frase vai para a lista de depois.
- Desenhe o fluxo que faz o cliente pagar. Do primeiro acesso até o pagamento. Esse fluxo é o MVP. O resto é apoio.
- Troque função por processo manual. Relatório pode sair de uma planilha por um mês. Aprovação pode ser feita por você. Se o volume crescer, aí vira função.
- Mantenha o que protege. Login, permissão, backup e cobrança ficam. Cortar isso não é corte de escopo, é risco.
- Escreva o que ficou de fora. A lista do que não entra é tão importante quanto a do que entra. Ela evita discussão no meio do projeto e vira o plano da versão 2.
Nós fazemos o caminho inverso do orçamento tradicional: em vez de estimar tudo e ver se cabe, cortamos o escopo para caber na data e no orçamento.
Como comparar duas propostas de MVP
Coloque as propostas lado a lado e confira se cada uma responde:
- Quais fluxos estão dentro e quais ficam fora da primeira versão?
- Quais integrações estão incluídas, pelo nome?
- A cobrança está incluída? Com quais formas de pagamento?
- O que está previsto de segurança e de LGPD?
- A data de entrega está no contrato?
- Quem fica dono do código, do domínio e dos acessos?
- Quanto custa manter o produto no ar por mês?
A proposta mais barata que não responde a essas perguntas costuma virar a mais cara depois do primeiro aditivo.
Como fazemos no Studio
Não publicamos tabela porque preço de MVP sem diagnóstico é chute. No diagnóstico, cortamos o escopo, escrevemos o que entra e o que fica de fora e, só então, fechamos o preço. O prazo vai escrito no contrato. O código, os arquivos e os acessos ficam em nome do cliente, e quem constrói é a nossa própria equipe de devs, com Claude Code e Figma no design e no build.
Um exemplo de prazo que saiu desse processo: a AI Vou Eu, SaaS de turismo com IA, foi ao ar em 4 semanas com o Studio. E todo sistema sai com um agente de IA que roda todo dia, aponta falhas, sugere melhorias e confere se os dados fazem sentido. Num MVP, é ele que ajuda a mostrar cedo quais funções estão sendo usadas e o que merece entrar na versão 2.
Se você tem uma ideia e quer saber quanto custa a primeira versão, com escopo cortado, preço fechado e data escrita, o caminho começa pelo diagnóstico do nosso serviço de desenvolvimento de MVP, SaaS e sistema sob medida.
Perguntas frequentes
Qual a diferença entre MVP e protótipo?
O protótipo mostra como o produto vai funcionar, mas ninguém usa de verdade. O MVP é a primeira versão no ar, com cliente real usando e, de preferência, pagando. O protótipo ajuda a decidir o escopo do MVP, mas não substitui o MVP.
Dá para fazer um MVP barato com IA ou no-code?
Dá para testar uma ideia rápido. Para receber cliente pagante, o MVP precisa de login seguro, separação de dados e cobrança que funcionam sem você olhar. Se a ferramenta não entrega isso, a conta aparece depois, na correção.
Quanto tempo leva para colocar um MVP no ar?
Depende do escopo que sobra depois do corte: fluxos, integrações e perfis de usuário. Desconfie de prazo dado antes de alguém entender o produto. No Studio, o prazo sai do diagnóstico e vai escrito no contrato.
Vale pedir orçamento de MVP sem ter o escopo pronto?
Vale para ter a ordem de grandeza. Mas um preço dado sem escopo escrito costuma virar aditivo no meio do projeto. Peça que a proposta liste o que entra e o que fica de fora da primeira versão.
Fontes
Serviço relacionado
Sistemas e SaaS
Do diagnóstico ao ar, com design, código e um agente de IA treinado no seu negócio
News Responsivo
Receba o próximo artigo no seu e-mail
Custo, prazo, IA e bastidores de quem coloca produto no ar. Sem spam.


